Coluna II
Esta é uma tradução da página original de Fred P Miller. Não deixe de ver a página original clicando aqui. Traduzido para o português por Samuel Monteiro.
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Esta segunda página na primeira tira de couro que compõe o manuscrito está em boas condições, apesar de uma lacuna e várias dobras e rasgos na página. A dobra à esquerda da página associada ao que poderia ser os restos de uma linha marginal se estende por toda a extensão da página. Duas letras nas duas primeiras linhas estão obscurecidas por esta dobra/rasgo. Na primeira linha, o meim está pouco visível na palavra "be-mishpat" e na segunda linha, o beit está obscurecido na palavra "ve-'ozavey" (abandonadores de). Existem algumas pequenas diferenças nesta página e uma omissão radical na última parte do versículo 9: faltam as 3 últimas palavras: וְאַל-תִּשָּׂא לָהֶם. O versículo 10 inteiro está ausente e 3 palavras estão faltando no versículo 2:3 na linha 10 ("el har YHVH" para o monte de YHVH).
Nós notamos na primeira página do manuscrito de Qumran que existem vavs, yods, heis e alephs desnecessários em Q, que são auxílios à pronúncia e indicam vogais. Nós não continuaremos a notar isso, mas há um número considerável ocorrendo. Porém, outras diferenças entre Q e M seguem:
A primeira linha da página começa na metade do versículo 1:26. A quarta e quinta palavras da direita são yiqra'u la-kh: (3mpl imp) + prep + suf 2fs (para você) e significa "eles chamarão a ti". Isso difere do Massorético que tem um niphal 3ms "yiqare' lakh" que significa "ele se chamará a ti".
No versículo 1:30 (4ª linha abaixo das últimas quatro palavras), Q lê "a'sher 'eyn mayim lah" enquanto o Massorético lê "a'sher mayiym' eyn lah". O significado é o mesmo.
Observe que a divisão do capítulo é marcada pelo espaço deixado após 1:31. O capítulo dois com a primeira palavra, ha-davar, inicia uma nova linha.
No verso 1:31 (5ª linha) a segunda e quarta palavras (da direita) têm sufixos 2mpl, (kem) "vossos fortes" e "vossas obras" respectivamente. O Massorético tem masculino singular (o forte) para a primeira e um sufixo 3ms na segunda (a obra dele).
Dos versos 14 a 21 Há uma palavra faltando no começo de cada linha, da primeira até a oitava, contando de baixo para cima. A palavra que falta no verso 14 é parte da palavra "haromiyim" (harom está faltando) na próxima linha há "chomah" na lacuna. Na sexta linha está faltando o artigo"ha" na segunda palavra ('adam), bem como "gavhut", no verso 17. A lacuna da quinta linha contém a palavra "ve-ha-'aliyliym". A quarta linha deveria conter "pachad" e o "YHV" de YHVH. A terceira linha de lacuna são as duas primeiras palavras do versículo 20: "be-yom ha-hu'". Na lacuna da linha 2 está faltando 'asu-lo', mas há uma complicação adicional, já que a primeira palavra que segue a lacuna tem parte de uma palavra supérflua não no Massorético, enquanto o resto do versículo segue palavra por palavra. A última linha está no versículo 21 onde a lacuna deveria ter ha-tsuriym + "uvis" da palavra ubis'iphiy. Samuel Monteiro: Esta palavra que está faltando em M, que deveria estar na frente de asu-lo em Q, provavelmente é אֶצְבְּעֹתָיו, a mesma que se encontra no versículo 8.
Outro item a ser observado é o espaço no final do versículo 19 para marcar um parágrafo. Esta é a linha 4, contando de baixo para cima.
Clique nas referências em destaque para ver a palavra na imagem do manuscrito.
Linha 1: 4ª palavra: Q = "yiqra'u" imp 3mpl (eles chamarão) e M = "yiqra'" niphal imp 3ms (ele se chamará).
Samuel Monteiro: Linha 3: 5ª palavra Em M temos מאילים (pelos carvalhos), já em Q temos מאלים (pelos deuses). Vejam a grande diferença que um simples yod pode causar. A Septuaginta traz neste versículo "pelos ídolos", o que concorda com Q. Portanto há grande chance da leitura original ser מאלים (pelos deuses/ídolos) e não מאילים (pelos carvalhos). A dificuldade entre se escolher entre a leitura de Q e M vem pelo fato de que os israelitas escolhiam carvalhos e jardins para praticarem rituais pagãos. Portanto, a tradução "pelos carvalhos" faz sentido pelo contexto da época além de que "carvalhos e jardins" parecem fazer uma melhor combinação do que "deuses e jardins".
Linha 5: a segunda e quarta palavras (da direita) têm sufixos 2mpl, (kem) "vossos fortes" e "vossas obras" respectivamente. O Massorético tem masculino singular (o forte) para a primeira e um sufixo 3ms na segunda (a obra dele).
Samuel Monteiro: Linha 9: 3ª palavra: Em Q foi utilizada uma palavra em aramaico no lugar da palavra em hebraico que está em M: עלוהי ('alohiy) no lugar de אליו ('elayv). Sendo aramaica, a palavra עלוהי é encontrada apenas em Daniel e Esdras (clique aqui para ver todos os versículos onde ela aparece). As duas palavras possuem o mesmo significado. 5ª palavra: Há um aleph a mais na palavra גועים (goyim) em Q.
Linha 10 depois da 2ª palavra: 3 palavras são omitidas em Q que estão em M "'el har YHVH".
Samuel Monteiro: Linha 10: 6ª palavra: Erro hortográfico em Q. O escriba trocou a posição da letra vav que deveria estar antes de resh mas ele a escreveu depois de resh. Penúltima palavra: Acréscimo de aleph para ajudar na pronúncia em Q (ונאלכה).
Samuel Monteiro: Linha 11: última palavra palavra: O escriba começou a escrever a palavra וְהוֹכִיחַ, colocando as duas primeiras letras וה, mas depois desistiu de escreve-la colocando-a como a primeira palavra da linha 12.
Samuel Monteiro: Linha 12: 2ª palavra: Uma palavra extra em Q: בֵּין (entre). Apesar desta palavra a mais o significado é o mesmo, pois as expressões וְהוֹכִיחַ לְעַמִּים em M e וְהוֹכִיחַ בֵּין לְעַמִּים em Q são equivalentes. 6ª palavra: Outra palavra a mais em Q: אֵת. A palavra אֵת não possui significado, apenas servindo como partículo acusativa do objeto direto, portanto não há alteração de sentido.
Samuel Monteiro: Linha 15: Penúltima palavra: Podemos observar através dessa palavra que o texto Q usa um aleph a mais em várias palavras que terminam com yod no texto M. Um exemplo muito comum disto é כי em M mas כיא em Q. Veja que no texto massorético este detalhe de colocar um aleph no fim de palavras que terminam com yod permaneceu na palavra "ela" (היא). Aqui o texto M usa o plural de נָכְרִי, que é נָכְרִים. Como no texto Q haveria um aleph no final de נָכְרִי, ou seja, נָכְרִיא, o plural torna-se נָכְרִיאִים, criando uma grafia tão estranha que a princípio imaginei ser um erro ortográfico. Porém não há erro: a grafia estranha é resultado do acréscimo de ים em נָכְרִיא para formar o plural.
Linha 18: No verso 2: 9 e no verso 10: (linha 12 da parte inferior) A quarta palavra da esquerda é "i'ysh" e é a última palavra em Q do verso 9. O Massorético contém mais 3 palavras (ve'al tissa' lakhem). Portanto a próxima palavra é a primeira palavra do versículo 11: "'eyney" (olhos de). Assim, o versículo 10 está omitido em sua totalidade. Parece haver uma marca do editor acima da última palavra (adam) nesta linha. Talvez esta seja uma nota para marcar a omissão.
Samuel Monteiro: Linha 19: 1ª palavra: Há um erro de concordância em M que não ocorre em Q. A palavra "olhos de" (עֵינֵי) é plural e feminina no hebraico, porém o texto M traz o verbo שָׁפֵל, que é singular masculino. Já o texto Q traz תִּשְׁפַּלְנָה que é feminino plural, concordando em número e gênero com עֵינֵי.
Linha 21: 3ª palavra: este é um bom exemplo de um hei mal escrito que parece um aleph. O hei no manuscrito ser confundido com aleph é provavelmente a resposta para a suposta palavra aramaica em Isaías 63[em breve]. Depois de olhar, julgue você mesmo e veja se as letras parecem ou não as mesmas.
Samuel Monteiro: Linha 25: 3ª palavra: Ocorre algo curioso aqui. O texto massorético possui um erro de concordância. A tradução literal do texto M é "Os ídolos totalmente desaparecerá", pois traz יַחֲלֹף (yachalof - desaparecerá) no lugar de יַחֲלֹפוּ (yachalofu - desaparecerão) que seria o correto (veja Salmos 102:26[27]). Já o texto Q traz a conjugação correta do verbo: יַחֲלוֹפוּ (yachalofu). O que é curioso é que, mesmo a conjugação estando correta, repare que um editor colocou um ponto acima das duas letras vav da palavra. Estes pontos não tem relação com o cholam do texto massorético. Na verdade eles indicam que essas duas letras vav não deveriam estar aqui. Ou seja, o texto que o escriba Q estava copiando continha a escrita errada יַחֲלֹף, ele tentou corrigir a escrita, colocando a conjugação correta יַחֲלוֹפוּ, porém o editor do texto considerou isso errado. Ou seja, mesmo o texto estando errado, deveria-se manter o erro para preservar a originalidade do texto. É isso que ocorre em M.
Samuel Monteiro: Linha 28: 1ª e 2ª palavras: A primeira palavra desapareu totalmente por causa da parte do couro que se soltou. Provavemente esta palavra era עָשׂוּ ('asu - fizeram). Restou apenas um pedaço da segunda palavra, עוֹתָיו ('otayv), que com certeza é אֶצְבְּעוֹתָיו ('etsbe'otayv - seus dedos), já que ela também ocorre em 2:8. Se a primeira palavra realmente é עָשׂוּ ('asu) então temos עָשׂוּ אֶצְבְּעוֹתָיו ('asu 'etsbe'otayv - fizeram os seus dedos) em Q e עָשׂוּ- לוֹ ('asu-lo - fizeram para ele) em M. Se for assim, então temos aqui novamente um erro de concordância em M e um texto melhor em Q. Quem está executando a ação em M é "o homem", portanto, aproximando as palavras teríamos "o homem fizeram para ele". Já no texto Q, quem está executando a ação é "seus dedos", portanto temos a leitura "seus dedos fizeram", sem erro de concordância.
Samuel Monteiro: Linha 28: 4ª palavra: Aqui tanto M quanto Q estão errados. No texto M os massoretas erraram ao separar a palavra חֲפַרְפָּרוֹת (chafarparot - toupeiras) em duas palavras: לַחְפֹּר פֵּרוֹת (lachpor perot). Isso transformou a palavra "toupeiras" em uma expressão sem sentido: "cavar frutos". Já em Q o erro foi escrever o plural de toupeira como חֲפַרְפָּרִים (chafarparyim) ao invés de חֲפַרְפָּרוֹת (chafarparot).
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